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  • Vendas globais de alimentos orgânicos batem recorde, com US$ 105 bilhões

    SAO PAULO 16/04/2014 PALADAR / Bacia de alimentos organicos da Feira do Parque da Agua Branca. Na foto, rabanete, pimentao, tomate, beterraba, cenoura e ovos. FOTO FERNANDO SCIARRA/ESTADAO

    Pela primeira vez, as vendas globais de alimentos orgânicos e bebidas ultrapassaram a marca dos US$ 100 bilhões. Em 2018, alcançaram US$ 105 bilhões, conforme a Ecovia Intelligence, que divulgou hoje esses dados, com base no 4º Relatório Global Organic Food & Drink Market Trends & Outlook, de abril. Os principais mercados estão nos Estados Unidos e na Europa, com 90% do faturamento total. “Embora as vendas continuem concentradas neste bloco, em 2005 o domínio era bem maior, com 97% do total faturado”, informa em comunicado a Ecovia Intelligence, consultoria britânica que acompanha o setor de orgânicos e sustentabilidade desde 2001 – antes, seu nome era Organic Monitor.

    Os Estados Unidos detêm o maior mercado de alimentos orgânicos, com 45% das vendas globais. Alemanha, França, Itália e Canadá vêm em seguida. Quanto aos importadores, Suíça, Dinamarca, Suécia e Áustria lideram. Em termos de mercado interno, a Dinamarca já tem 14% das vendas de alimentos do varejo só de orgânicos.

    Países emergentes começam também a ganhar fatias no mercado de orgânicos, principalmente China, Índia e Brasil, que já exportam alimentos produzidos sem agroquímicos e com sustentabilidade e estão, ao mesmo tempo, fortalecendo seus mercados internos no segmento.

    Conforme a consultoria, “a crescente conscientização dos consumidores quanto aos produtos orgânicos e a maior oferta são os dois impulsionadores do crescimento global”. “A distribuição dos alimentos orgânicos está aumentando em supermercados, lojas, farmácias, no setor de catering e em serviços de alimentação”, diz a Ecovia Intelligence. “Além disso, ingredientes orgânicos estão sendo usados em número crescente em serviços de alimentação na Europa e nos Estados Unidos.” E grandes redes, como o McDonald’s, também assumem compromissos com o fornecimento de produtos orgânicos em seus cardápios.

    Outro fator que impulsiona as vendas são as marcas próprias de redes varejistas no exterior. “Todos os principais varejistas de alimentos na América do Norte e na Europa estão comercializando alimentos orgânicos sob marcas próprias”, diz a Ecovia Intelligence, citando, por exemplo, a Naturaplan, marca própria da Coop Switzerland, como a mais bem sucedida no segmento, com 2,5 mil produtos e responsável por mais de 40% das vendas de orgânicos na Suíça.

    O mercado crescente de orgânicos no mundo é ilustrado em números: em 2000, as vendas globais somavam US$ 18 bilhões; em 2010, US$ 59 bilhões, e, agora, US$ 105 bilhões. “Apesar do crescimento, a participação de mercado dos alimentos orgânicos permanece abaixo de 1% em países fora da Europa e da América do Norte”, ressalta a Ecovia. Para o fundador da consultoria, Amarjit Sahota, ainda há desafios pela frente. “O primeiro é a concentração da demanda: a agricultura orgânica já é praticada em 181 países. No entanto, as vendas se concentram nos países ricos”, assinala. “Além disso, os orgânicos são percebidos como artigo de luxo em várias partes do mundo.”

    Outro importante obstáculo é a falta de padronização mundial em relação à produção e certificação orgânica. “Não há harmonização e pouquíssimos países têm acordos de equivalência, embora quase 100 países já detenham seus próprios padrões definidos”, continua Sahota, acrescentando, ainda, que os selos orgânicos certificados têm sido ofuscados por certificações fairtrade (comércio justo), rainforest Alliance e outros.